Demorou quase 20 anos para que o reconhecido ator Edward Norton se aventurasse mais uma vez atrás da câmeras. Só que agora ele quis mais e, além de dirigir, Norton também roteirizou e protagonizou “Motherless Brooklyn”, que chega ao Brasil como “Brooklyn, sem pai nem mãe” e estreia nos cinemas nacionais nesta quinta-feira, 5 de dezembro.

Essa é a segunda experiência dele como diretor (o primeiro foi no ano de 2000, com o romance “Tenha Fé”) e, agora, ele entrega uma direção bastante sóbria e equilibrada, mas, por vezes, preguiçosa.

Preguiçosa porque a impressão que dá é que tende a buscar o caminho mais fácil. O novelo dos fatos vai se desenrolando ao longo do filme e entregando ao público, aos poucos, as pistas e informações para o entendimento da trama, só que, em algumas ocasiões, ele mastiga demais e oferece pronto para o espectador, utilizando ferramentas já bem batidas e nada criativas. 

O entendimento, em algumas cenas, vem fácil demais. Explicações sempre diretas, tudo bem detalhado. Há quem goste, mas eu acredito que isso soa como um menosprezo à capacidade de entendimento do público.

O Filme

O filme é baseado no romance de Jonathan Lethem, escrito e vivenciado nos anos 90, porém, para a telona, Edward leva a narração para Nova Iorque dos anos 50, com uma ótima ambientação e cenografia da época.

O elenco é um dos pontos altos do filme, com caras super conhecidas do grande público e que entregam atuações seguras, como Alec Baldwin, Bruce Willis, William Dafoe, além, claro, do próprio Edward Norton, que é o ponto chave da trama, pois o seu personagem, Lionel Essrog, está presente em praticamente 100% do tempo de tela. O protagonista é um detetive auxiliar que possui síndrome de Tourette, com diversos tiques motores e vocais. 

Aliás, personagens com esse tipo de síndrome, toc’s ou tiques nervosos sempre são desafios para os atores, para que não se tornem uma caricatura e não consigam passar a mensagem necessária.

No início, parece que não vai dar certo, mas Norton conseguiu segurar na medida certa em grande parte do filme, com algumas derrapadas, em determinadas cenas que o espírito de ação é tão sobrecarregado que os tiques dele desapareceram, inclusive com alterações de voz e fisionomia.

Início, Meio e Fim

Já no início do trama – que começa muito bem, por sinal, empolgando e prendendo a atenção – ele presencia o assassinato de seu chefe Frank Minna (vivido por Bruce Willis). A partir de então, ele começa uma investigação para levantar pistas que possam desvendar o motivo da morte de seu grande amigo. 

Então, temos um Suspense Policial, com ingredientes necessários e característicos e bons panos de fundo: assassinatos, detetives, romance, política, poder, corrupção, segregação racial, entre outros.

Os personagens são ricos e temos um problema que é comum em adaptações da literatura para as telonas. No aprofundamento dos personagens, em suas histórias, dilemas e personalidades. Alguns deles transparecem que tem mais a oferecer e acabam sendo escanteados. 

Mas, no geral, o diretor consegue segurar bem o ritmo do filme em seus três grandes atos e, apesar de ultrapassar as duas horas e vinte minutos de duração, não chega a ser cansativo. Edward Norton se mostra bem nos três papéis que assumiu neste longa e entrega um filme policial correto, sendo uma boa pedida para o final de semana. 

Trailer Oficial – Brooklyn – sem pai nem mãe
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